quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A SEGURANÇA COMO CIÊNCIA


A ciência, como conceito aberto, pode ser considerada como sendo a aproximação máxima e permanente a uma realidade. O caráter momentâneo conferido à realidade é exatamente o elemento que impulsiona ao aprofundamento permanente, com o qual se busca a confirmação, a comprovação e/ou manutenção da verdade já estabelecida.
A verdade é o objetivo máximo da busca cientifica que impulsiona, permanentemente, a pesquisa em direção ao aperfeiçoamento do conhecimento.
Para que seja possível atingir um nível de conhecimento cientifico satisfatório, as conclusões dos experimentos baseiam-se por meio da testagem e comprovação das hipóteses levantadas.
Como hipótese entende-se a "suposição duvidosa, mas não improvável, relativa a fenômenos naturais, pela qual se antecipa um conhecimento, e que poderá ser posteriormente confirmada direta ou indiretamente".
Hipóteses surgem diariamente pelo senso comum, e não podem ser consideradas como verdadeiras, mesmo quando possuem alguma coerência. O método popular faz uso da mera especulação, ou seja, "a reflexão aérea e subjetiva à revelia da realidade, algo que um cientista não poderia refazer ou controlar".
O método cientifico observa e especula as hipóteses, por meio do levantamento de casos, aplicando comumente um método experimental para tratar os resultados estatisticamente, resultando em comprovações testadas.
É preciso muita atenção em relação ao conhecimento científico apresentado, pois, é fato que este pode variar o seu conteúdo. A verdade pode ser modificada a qualquer momento; vide o próprio conceito de ciência.
É dever de todo pesquisador teorizar, constantemente, com as hipóteses apresentadas e, a partir destas, utilizar os princípios elaborados pela ciência para que seja alcançado um resultado satisfatório e a conclusão, firmada para o momento, possa ser tratada como científica.
Quando se fala de segurança como ciência, há que se levar em conta certos fatores que contribuem para o assunto segurança e seu oposto, a insegurança, tais como os fatores endógenos e exógenos, sendo estes analisados a partir do ponto de vista psicológico e do ponto de vista físico.
Considera-se o primeiro como a segurança numa situação na qual existe a sensação de resguardo das surpresas desagradáveis e de situações indesejáveis, conceituação válida também em um determinado contexto social, já que toda organização trata de alcançar os objetivos que justifiquem sua existência com maior ou menor ambição, considerando que isso representa um caminho que não somente encontrará dificuldades naturais, assim como vontades que se valerão pelos interesses opostos, numa real luta de interesses. Sendo assim, a segurança a ser alcançada deve possibilitar a conquista dos objetivos da organização.
Em contrapartida, desde o ponto de vista físico, deve-se defini-la, em síntese, como aquela segurança cujo objetivo a alcançar é o ambiente de proteção de elementos físicos ou de mecanismos enfocados ao amparo de uma entidade ou ser, a fim de permitir o desenvolvimento de suas atividades.
Essas conceituações científicas propiciam, em seu grande conjunto, o alcance de um estado de segurança desejado. Mas haverá um aspecto decisivo, que enfocará o indivíduo ou organismo, baseado em princípios realistas, que é a confiança em sua capacidade. Sem esse aspecto não existirão medidas suficientes, tampouco haverá, jamais, garantias e, por conseqüência, será impossível que exista segurança.
Conhecendo estes antecedentes, será possível conceituar a segurança, do ponto de vista científico, como uma ciência dinâmica que trata de salvaguardar o indivíduo no contexto social em que atua e proteger seus bens contra casos fortuitos ou premeditados, com o objetivo de alcançar um ambiente de bem-estar, confiança e melhores condições de progresso.
A concepção moderna da ciência da Segurança diz que não é suficiente um avançado sistema técnico de proteção para alcançar fins estabelecidos, em razão de que sempre a capacidade, os conhecimentos e as qualidades do homem de segurança serão fatores determinantes do êxito ou fracasso de qualquer sistema.
Por outra parte, seja qual for a dimensão do grupo social com que se trate, pretender dar-lhe a segurança necessária implica considerar valores tais como disciplina, honestidade, justiça, como guias para dirigir e respaldo para exigir; não tê-los em conta fará com que a evolução técnica, orgânica e normativa perca significado, por mais eficazes que possam parecer.
Cabe aqui destacar o termo denominado Cinturão de Segurança, que trata de todos aqueles objetos, dispositivos, medidas, etc, que contribuem para tornar mais seguro o funcionamento ou a utilização de algo.
Dessa maneira, resulta indispensável estabelecer um equilíbrio entre o homem e os sistemas, equação básica que possibilitará encontrar o caminho do êxito nessa difícil tarefa.
Em consonância ao expressado anteriormente, essa nova ciência está alicerçada na aplicação, não somente nos aspectos técnicos, dos sistemas de controle, das condições estruturais e operativas, mas também considerando aspectos próprios do desenvolvimento do ser humano, tanto individuais como coletivos. É por ele que se requer uma qualidade moral significativa na direção da segurança para que seja manejada com honestidade, ainda que se conheça a vinculação entre a segurança e a eficácia operativa.
Sem qualquer dúvida, alcançar uma nova concepção ética, capaz de enfrentar, de maneira incorruptível, a realidade cotidiana e universal da vida em sociedade, não será, por certo, tarefa fácil, é por isso que há a necessidade que de cada um dos homens de segurança conheça e pratique esses conceitos, ao mesmo tempo em que pratique as técnicas mais avançadas para fazer prevalecer o bem sobre o mal – descartada a simples abordagem maniqueísta, de tal forma que não se vejam surpreendidos com a realidade sem saber proteger a si mesmo, aos outros e às instituições.
A segurança das diferentes instalações físicas, tais como indústrias, laboratórios, organizações e empresas do Estado e privadas, instalações nucleares, estabelecimentos bancários, aeroportos, hotéis, residências apresentam diferentes particularidades, reclamam a necessidade de galgar ao conhecimento científico esta nova ciência e, por essa razão, ter sempre em consideração que a segurança não somente se alcança com a tecnologia de ponta, sem que o ser humano tenha que aportar as atitudes e os conhecimentos científicos dessa disciplina. Por outra parte, há que se considerar a existência dos grandes riscos imprevistos e não excludentes no contexto da segurança, nos quais se deve atuar também com capacitação e preparação adequadas no enfrentamento desses riscos acidentais, como um complemento na prevenção e controle dos sinistros, já que a segurança se dá em três etapas, a saber, antes, durante e depois.
Mesmo assim, é conveniente destacar que essa ciência trabalha em estreita ligação com outras disciplinas do conhecimento humano e que esses conhecimentos deverão ser levados em conta para o melhor desenvolvimento de suas atividades. Também é possível dizer que essa ciência tem aspectos científicos em razão de que realiza análises de riscos, entendendo risco como sendo a possibilidade ou proximidade de um dano, perigo ou ainda como ameaça. Com efeito, partindo-se da base de que a segurança integral envolve o ser humano, haverá que compatibilizar essas funções durante as atividades internas da empresa e fora dela mesma, durante o desenvolvimento de projetos e na sua execução, assim como durante as 24 horas do dia.
Por último, faz-se importante acreditar que todo o investimento na valorização do homem e na preservação de sua vida, indubitavelmente, redundará em maior eficiência e rentabilidade; inverter a equação poderá ser o início das dificuldades e, provavelmente, será impossível de controlar os riscos.
É assim que a Segurança, entendida como ciência dirigida ao bem-estar e progresso do homem, está dando seus primeiros passos, especialmente nos países mais adiantados, tratando de contribuir para a difícil realidade sócio-econômica mundial, como desafio que se inicia e como reflexão para todos que são encarregados de propiciar a segurança à sociedade e ao patrimônio público e privado.
É real a concepção de que a Segurança se inicia como uma nova ciência e começa a difundir-se já não como um conhecimento sem base científica, mas, sim, com seus delineamentos próprios. Enfim, ensinar uma ciência não é transmitir um catálogo de artigos e fórmulas definitivas; é desenvolver a atitude para aperfeiçoá-las.